top of page

DESTINO: Tailândia / Ayutthaya

CAMPOS PORTUGUESES

หมู่บ้านโปรตุเกส

​Última atualização: 02/05/2025

icons8-clock-100.png

Horário: 09:00 - 17:00

icons8-currency-100.png

Ingresso: Grátis

Durante mais de 200 anos, os Campos Portugueses de Ayutthaya acolheram a maior comunidade europeia do antigo Reino do Sião. Aqui, comerciantes, soldados e missionários portugueses deixaram um legado visível até hoje nas ruínas da antiga igreja e no nome de várias famílias locais.
Estamos num local histórico e pouco conhecido, onde viveram cerca de 3.000 portugueses durante o período do Reino de Ayutthaya. Os portugueses foram os primeiros europeus a chegar ao Sião, em 1511, e aqui, numa área com pouco mais de meio quilómetro quadrado, fundaram aquela que foi, durante séculos, a maior comunidade ocidental da região: os Campos Portugueses.

Segundo os registos históricos, depois de estabelecerem posições na Índia, quatro embarcações portuguesas, sob o comando de Lopes de Sequeira, chegaram à costa de Malaca, com o objectivo de estabelecer relações comerciais. A recepção, no entanto, não correu bem. O sultão local opôs-se à presença portuguesa e, após um confronto violento, vários marinheiros foram mortos. Sequeira teve de retirar. A resposta portuguesa, porém, não se fez esperar.

Em Junho do ano seguinte, D. Afonso de Albuquerque, vice-rei da Índia, lançou um ataque decisivo a Malaca. Em pouco mais de dois meses, a cidade foi conquistada. Mas Malaca era vassala do Reino do Sião, e esta ocupação exigia uma explicação diplomática.

Foi então enviado Duarte Fernandes — alfaiate de formação, mas diplomata de ocasião — à corte de Ayutthaya. Chegou em 1511, foi bem recebido e conseguiu que a ocupação de Malaca fosse aceite sem represálias. Voltou ao Sião com um embaixador siamês. Poucos anos depois, em 1516, Duarte Coelho Pereira estabeleceu um tratado formal com o rei Ramathibodi II. O acordo previa o fornecimento de armas e munições por parte de Portugal, em troca da garantia de liberdade religiosa e facilitação de comércio e assentamento nos domínios siameses. O rei autorizou mesmo a colocação de um crucifixo de madeira num local visível de Ayutthaya — um gesto de grande tolerância religiosa para a época.

Durante mais de um século, os portugueses tornaram-se uma presença influente no reino. Eram comerciantes, navegadores e mercenários, frequentemente integrados nas campanhas militares dos reis siameses.

Tudo começou a mudar no século XVII, quando holandeses e espanhóis passaram também a disputar influência em Ayutthaya. Em 1624, o capitão espanhol D. Fernando da Silva atacou uma embarcação holandesa. O rei siamês reagiu com severidade: mandou prender, executar e expulsar os espanhóis, num clima de tensão que quase levou à guerra. Os portugueses, apanhados no meio da disputa e associados aos espanhóis pela proximidade cultural e linguística, começaram a ser vistos com desconfiança.

Apesar disso, as relações entre portugueses e siameses mantiveram-se relativamente estáveis durante mais um século — até ao avanço dos birmaneses, no século XVIII. Em Abril de 1760, o exército da Birmânia lançou uma ofensiva sobre Ayutthaya. Como o ataque veio do sul, os Campos Portugueses foram os primeiros a ser atingidos. Uma parte foi destruída, mas a resistência portuguesa foi tão feroz que os birmaneses foram obrigados a recuar temporariamente.

Anos depois, em 1767, Ayutthaya caiu finalmente. Os birmaneses atacaram novamente os Campos Portugueses, que lutaram com determinação, mesmo isolados e com poucos recursos. Com as linhas de abastecimento cortadas e quase sem munições, dois padres — um jesuíta e um dominicano — negociaram os termos da rendição.

Durante algum tempo, os portugueses e as suas igrejas foram poupados, numa tentativa dos birmaneses de dissuadir os franceses, que também tinham presença no Sião, de resistirem. Mas na noite de 7 para 8 de Abril, essa protecção foi abandonada. Os Campos Portugueses foram incendiados, muitos residentes feitos prisioneiros de guerra, e outros mortos.

Os sobreviventes fugiram para sul e estabeleceram-se em Banguecoque, onde ainda hoje existe uma pequena comunidade descendente dos portugueses de Ayutthaya. Muitos adaptaram os seus apelidos ao tailandês — mas ainda é possível encontrar nomes como Na Silawan (da Silva), Yesu (de Jesus) ou Renangkul (de Reina).

Nos antigos Campos Portugueses, permanecem as ruínas da Igreja de São Pedro, de origem dominicana. Ainda se podem ver os alicerces da igreja original, uma reconstrução simbólica da fachada e, no pequeno cemitério, esqueletos expostos que testemunham a presença lusa neste ponto distante da Ásia.

ENCONTRA ESTE DESTINO NESTA VIAGEM
bottom of page