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DESTINO: Tailândia / Ayutthaya

MOSTEIRO DA GRANDE RELÍQUIA

วัดมหาธาตุ

​Última atualização: 02/05/2025

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Horário: 08:00 - 17:00

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Ingresso: 50 THB

O Mosteiro da Grande Relíquia foi durante séculos um local sagrado e de grande influência religiosa. Situado perto do palácio real, foi um centro religioso de grande prestígio, guardando relíquias de Buda e acolhendo cerimónias de consagração e actividades monásticas.
A data exacta da fundação do Mosteiro da Grande Relíquia, em Ayutthaya, não é conhecida com precisão, mas acredita-se que a sua construção tenha começado durante o reinado de Borommaracha I (1370–1388), e tenha sido concluída pelo seu filho, o rei Ramesuan. O nome do templo,  Wat Maha That, que significa literalmente “Mosteiro da Grande Relíquia”, revela logo à partida a sua importância espiritual: o templo foi erguido com o propósito de acolher relíquias sagradas de Buda, algo que lhe conferia um prestígio especial no contexto do budismo theravada praticado no Sião. Ter relíquias de Buda não era apenas um sinal de devoção — era também uma forma de afirmar autoridade religiosa e legitimidade real. Os reis que patrocinavam a construção ou restauração de templos com relíquias demonstravam o seu mérito espiritual, o seu poder terreno e a sua ligação ao sagrado. 

O Mosteiro da Grande Relíquia beneficiava de uma localização privilegiada, no centro político e religioso de Ayutthaya, a poucos metros do Grande Palácio Real. Esta proximidade não era casual: fazia parte de uma estratégia consciente de ligar o poder espiritual ao poder real, numa época em que a legitimidade de um rei era sagrada. Ao longo de vários séculos, o templo foi o cenário de rituais solenes, como coroações, funerais reais, cerimónias de consagração e festividades budistas de grande importância, que envolviam tanto a corte como a comunidade monástica.

A estrutura do Mosteiro da Grande Relíquia foi inspirada nos antigos templos montanhosos do império Khmer, como os de Angkor, no actual Camboja. Estes edifícios não eram apenas locais de culto, mas sim representações simbólicas do universo, tal como era compreendido pelas cosmologias hindus e budistas. Ao contrário do que acontece em muitas tradições ocidentais, onde os templos servem sobretudo como espaços de oração, aqui o próprio edifício era construído como uma representação sagrada do cosmos.

No centro da estrutura ficava o templo principal, que simbolizava o Monte Meru, a montanha sagrada que, segundo a tradição, se ergue no coração do universo e serve de morada aos deuses e seres iluminados. Este monte mítico é um elemento central tanto na tradição hindu como na budista, e é considerado o eixo do mundo — o ponto a partir do qual tudo existe e se organiza.

À volta do templo central havia várias muralhas, corredores e fossos, que não tinham apenas uma função prática ou defensiva: representavam as cordilheiras e os oceanos que, segundo a crença, rodeiam o Monte Meru. Desta forma, ao entrar no templo, o fiel era convidado a percorrer um caminho simbólico, que imitava o percurso espiritual em direcção ao centro do universo — ou seja, em direcção à iluminação.

Esta estrutura também obedecia a princípios astrológicos e espirituais, e a orientação do templo era cuidadosamente pensada. A entrada principal estava geralmente virada a leste, a direcção do nascer do sol, associada à vida, à luz e à energia criadora. O oeste, por oposição, simbolizava o fim, o declínio, a morte e o pôr do sol. Cada direcção tinha um significado específico: o norte era considerado auspicioso, ligado à estabilidade e à sabedoria; o sul era visto como neutro. Estas crenças estavam profundamente enraizadas no pensamento religioso do Sudeste Asiático e influenciavam todos os aspectos do traçado dos templos, desde a sua planta até à disposição das estátuas e corredores.

Com o passar dos séculos, o Wat Maha That foi sendo remodelado e ampliado, mas a sua importância manteve-se. Isso tornaria a sua destruição ainda mais simbólica. Em 1767, quando o exército birmanês invadiu Ayutthaya, o templo foi alvo de saques e vandalismo sistemático. Os birmaneses destruíram os edifícios, incendiaram estruturas e decapitaram as estátuas de Buda — uma imagem que se tornou um dos símbolos mais conhecidos da queda de Ayutthaya.

Durante quase dois séculos, o templo permaneceu abandonado, coberto pela vegetação e reduzido a ruínas. Só na década de 1950 é que o Departamento de Belas Artes da Tailândia iniciou escavações e trabalhos de restauro, integrando o local no conjunto arqueológico de Ayutthaya, hoje classificado como Património Mundial da UNESCO.

Entre os elementos mais visitados actualmente está a icónica cabeça de Buda entrelaçada nas raízes de uma figueira — um símbolo involuntário de resiliência espiritual, que atrai visitantes de todo o mundo.

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