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DESTINO: Tailândia / Ayutthaya

SANTUÁRIO DE MONGKHON BOPHIT

วิหารพระมงคลบพิตร พระนครศรีอยุธยา 

​Última atualização: 02/05/2025

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Horário: 08:00 - 16:30

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Ingresso: Grátis

Situado junto ao templo real e ao antigo palácio de Ayutthaya, o Santuário de Mongkhon Bophit abriga uma das mais imponentes estátuas de Buda da Tailândia. Ícone de fé e símbolo de resiliência, atravessou séculos de glória, destruição e restauração.
A origem do Santuário de Mongkhon Bophit remonta ao século XVI, um período de grande estabilidade política e crescimento artístico no Reino de Ayutthaya. O templo nasceu da devoção pessoal do rei Chairachathirat (r. 1534–1546), monarca profundamente influenciado pelo budismo theravada e conhecido pela promoção de obras religiosas. Segundo a tradição, o rei mandou esculpir uma estátua monumental de Buda como acto de mérito espiritual após a morte inesperada do seu filho, num gesto de luto e redenção simbólica.

A estátua, baptizada com o nome de Phra Mongkhon Bophit, que pode ser traduzido como “Buda da Sagrada Felicidade e Prosperidade”, foi construída com um núcleo de tijolo sólido, coberto com revestimento em bronze moldado, uma técnica que na época exigia enorme mestria e recursos materiais. O resultado foi uma imagem de proporções grandiosas, com cerca de 17 metros de altura, tornando-a não apenas uma peça devocional, mas também uma demonstração visível da autoridade real e da protecção divina sobre o reino.

A iconografia escolhida é igualmente significativa: o Buda surge representado na postura de subjugação de Mara, sentado com as pernas cruzadas, a mão direita estendida a tocar a terra, e a esquerda sobre o colo. Esta posição representa o momento culminante da iluminação de Siddhartha Gautama, quando invoca a terra como testemunha da sua vitória espiritual sobre as forças da ilusão, do medo e da dúvida, personificadas na figura demoníaca de Mara. Ao escolher esta imagem, o rei transmitia não só fé pessoal, mas também uma afirmação política subtil, colocando-se sob a protecção directa do Buda vitorioso e reforçando a ideia de legitimidade divina do seu governo.

O rosto de Phra Mongkhon Bophit foi cuidadosamente esculpido para transmitir não apenas beleza estética, mas um profundo sentido espiritual. Os traços são suaves e equilibrados: os olhos semicerrados, voltados ligeiramente para baixo, sugerem um estado de meditação profunda, enquanto as sobrancelhas arqueadas e a linha do nariz perfeitamente definida contribuem para uma expressão de serenidade e recolhimento interior. A boca, ligeiramente curvada num esboço de sorriso, reflecte a benevolência compassiva que se associa à figura do Buda, sem exageros ou teatralidade. O conjunto facial cria assim uma atmosfera de calma absoluta e sabedoria imperturbável, que convida à contemplação silenciosa — tanto por parte dos devotos como dos visitantes.

Originalmente, a estátua de Phra Mongkhon Bophit encontrava-se num espaço aberto, situado fora do recinto do palácio real, onde era venerada ao ar livre por fiéis e membros da corte. Este posicionamento inicial reflectia práticas comuns na Ayutthaya do século XVI, onde algumas imagens de grande dimensão eram instaladas em locais simbólicos de acesso público, muitas vezes associadas a actos meritórios específicos ou acontecimentos marcantes da vida real.

Foi apenas em épocas posteriores, provavelmente no século XVII, que se decidiu transferir a estátua para a localização actual, mais próxima do Templo do Santo, Esplêndido Omnisciente e do centro cerimonial da capital. Segundo se conta, durante essa transferência, um raio terá atingido a estátua, provocando a queda da cabeça — um incidente que impressionou profundamente a população da época. Embora possa ter origem num evento real, este episódio transformou-se com o tempo numa lenda local, que passou a ser contada como exemplo do carácter simultaneamente sagrado e vulnerável dos ícones religiosos. A imagem de um raio — manifestação da natureza e, simbolicamente, da vontade divina — a danificar uma figura sagrada, alimentou a crença de que mesmo os objectos mais reverenciados carecem de protecção e respeito constantes.

O pavilhão que protege hoje a estátua, conhecido como Wihan Phra Mongkhon Bophit, foi construído para albergar e proteger a imagem monumental das intempéries. O edifício sofreu várias alterações ao longo dos séculos, tendo sido gravemente danificado durante a invasão birmanesa de 1767, tal como grande parte de Ayutthaya. Apenas no século XX é que a estrutura foi reconstruída e restaurada com fidelidade ao seu traçado tradicional. O espaço interior é amplo, iluminado naturalmente, com colunas robustas que sustentam a cobertura e conduzem o olhar directamente para a figura do Buda

Hoje, o Santuário de Mongkhon Bophit é um dos locais mais visitados de Ayutthaya. Atrai tanto crentes budistas como visitantes curiosos pela história do antigo reino. A grandiosidade da estátua, aliada à aura lendária que a envolve, transforma este espaço num símbolo vivo da espiritualidade siamesa, onde memória, arte e devoção se entrelaçam.

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