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DESTINO: Tailândia / Ayutthaya

TEMPLO SAGRADO DE PHANAN CHOENG

วัดพนัญเชิงวรวิหาร

​Última atualização: 02/05/2025

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Horário: 08:30 - 17:00

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Ingresso: 20 THB

Muito antes da fundação de Ayutthaya, já o Templo Sagrado de Phanan Choeng acolhia uma majestosa imagem de Buda. Com origem no século XIV e envolta em lendas, esta figura continua a ser um símbolo de fé viva e de resistência histórica.
O Templo Sagrado de Phanan Choeng, localizado na margem oriental do rio Chao Phraya, em frente à ilha onde mais tarde surgiria a capital de Ayutthaya, ocupa um lugar singular na história religiosa da Tailândia. A sua fundação, datada de 1324, ou seja, 26 anos antes da criação oficial, faz dele não apenas um dos templos mais antigos da região, mas também um dos poucos que testemunharam a ascensão e a queda da antiga capital.

Segundo a tradição local, o templo terá sido fundado por um nobre ou príncipe sino-siamês, o que reflecte desde cedo as relações estreitas entre as comunidades tailandesas e chinesas que se fixaram nas margens do rio. A lenda mais repetida associa a origem do templo a um príncipe chinês casado com uma princesa siamesa, como sinal de respeito mútuo e tentativa de integração cultural. Embora os registos históricos sejam escassos e muitas vezes contraditórios, é provável que o templo tenha surgido num contexto de confluência comercial e espiritual entre culturas, numa zona que desde cedo foi atravessada por rotas fluviais importantes e intensas trocas mercantis.

A localização estratégica do templo, voltado para o rio, sugere que a sua função inicial teria sido proteger espiritualmente os navegadores e mercadores que utilizavam o Chao Phraya como via de circulação. Ao mesmo tempo, seria um ponto de acolhimento religioso para as comunidades locais, cuja fé budista coexistia com práticas e influências de origem chinesa.

A peça central do Templo Sagrado de Phanan Choeng é a imponente imagem de Phra Chao Phanan Choeng, uma das mais antigas e reverenciadas figuras de Buda em toda a Tailândia. Com cerca de 19 metros de altura, esta monumental escultura de tijolo e argamassa, posteriormente revestida a folha de ouro, domina o interior do viharn com a sua presença serena e majestosa.

A estátua representa o Buda na clássica postura de subjugação de Mara, ou Bhumisparsha mudra — literalmente, o gesto de “tocar a terra”. Nesta representação, o Buda está sentado em posição de meditação, com a mão esquerda sobre o colo e a mão direita estendida, tocando o solo com as pontas dos dedos. Este gesto simbólico refere-se ao momento decisivo que antecede a sua iluminação, quando invoca a terra como testemunha da sua determinação inabalável e da vitória sobre Mara, a personificação das tentações, do medo e da dúvida.

Mais do que um detalhe iconográfico, este gesto transmite uma mensagem profunda de firmeza espiritual, equilíbrio interior e superação do sofrimento humano — princípios centrais no budismo theravada, a corrente dominante na Tailândia. A imponência da escultura, associada à serenidade da sua expressão facial, inspira reverência e recolhimento, tanto entre os crentes como entre os visitantes.

Ao longo dos séculos, a imagem de Phra Chao Phanan Choeng resistiu a guerras, inundações e períodos de abandono, mas nunca deixou de ser venerada. As marcas do tempo só contribuíram para reforçar o seu carácter sagrado, tornando-a um símbolo vivo da permanência da fé budista, mesmo perante as adversidades da história. A sua escala monumental, aliada à delicadeza dos traços, faz dela uma das grandes obras-primas da escultura religiosa do Sudeste Asiático.

Ao longo dos mais de quatro séculos em que Ayutthaya foi capital do Sião, o Templo Sagrado de Phanan Choeng manteve-se como um local de culto respeitado e continuamente frequentado, tanto pela população local como por comerciantes e peregrinos que chegavam à cidade por via fluvial. 

No entanto, foi o ano de 1767 que marcaria indelevelmente a história do templo. Durante a invasão e saque da cidade por parte das tropas birmanesas, Ayutthaya foi devastada, os seus templos incendiados e a sua população dizimada. Segundo os relatos orais, transmitidos de geração em geração, lágrimas terão escorrido dos olhos da estátua de Phra Chao Phanan Choeng pouco antes da chegada dos invasores — um fenómeno interpretado como sinal de sofrimento espiritual e compaixão do Buda pela destruição iminente da cidade e pelo sofrimento do povo. Embora a historicidade deste episódio não possa ser comprovada, a força da narrativa contribuiu para fortalecer o estatuto do templo enquanto símbolo da resistência da fé e da sua ligação profunda ao destino colectivo. A lenda das lágrimas do Buda é hoje repetida não apenas como curiosidade histórica, mas como expressão da vulnerabilidade e da esperança espiritual de um povo, que viu na compaixão da imagem sagrada o reflexo da sua própria dor e perseverança.

Hoje, Phra Chao Phanan Choeng encontra-se num viharn espaçoso e bem conservado, cujo interior impressiona pela verticalidade e pela atmosfera solene. As paredes da sala estão revestidas com centenas de pequenos nichos, cada um contendo uma imagem em miniatura de Buda, numa expressão cumulativa de devoção. O dourado da estátua central, a escala monumental da sala e o silêncio respeitoso do espaço criam um ambiente propício à contemplação e à oração.

O templo continua a ser um importante local de peregrinação, frequentado por fiéis tailandeses, comunidades de origem chinesa e visitantes de todo o mundo. É particularmente procurado durante as festividades budistas, altura em que se realizam cerimónias de oferenda, procissões e rituais de renovação espiritual.

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