TEMPLO DO TIGRE DANÇANTE (TEMPLO AZUL)
วัดร่องเสือเต้น
Num cenário onde o dourado domina, o Templo Azul impõe-se como excepção. Erguido nas últimas décadas sobre um templo abandonado, conjuga cor, simbolismo e inovação artística, mantendo-se fiel aos valores do budismo theravada.
O Templo Azul, oficialmente baptizado como Wat Rong Suea Ten (Templo do Tigre Dançante), não é apenas uma construção imponente no panorama religioso tailandês: é uma afirmação viva de que a fé, a arte e memória colectiva. Erguido sobre as ruínas de um templo há muito desaparecido — cuja história se perdeu nas margens da tradição oral — este local permaneceu durante décadas envolto em silêncio, coberto por vegetação e esquecido pelo tempo.
Segundo os habitantes da zona, durante o longo período de abandono, tigres selvagens, outrora comuns nas montanhas da região, desciam ocasionalmente e percorriam o recinto. Não eram vistos como ameaça, mas como guardiões silenciosos de um espaço que ainda era, de algum modo, sagrado. A imagem destes animais a moverem-se entre ruínas adormecidas ficou na memória colectiva, e foi precisamente essa imagem que inspirou o nome actual do templo: Rong Suea Ten, que significa “Templo do Tigre Dançante”. É uma designação que carrega uma certa poesia visual, evocando simultaneamente a força e a graciosidade do tigre e a presença mística que muitos sentem no local.
O impulso para devolver vida ao templo surgiu em 2005, alimentado por um sentimento partilhado entre monges, artistas e a comunidade local. Mais do que reconstruir um templo antigo, a intenção era reimaginar o espaço como lugar de contemplação e inspiração, onde a espiritualidade pudesse manifestar-se numa linguagem nova, sem trair os valores do budismo theravada. A escolha do artista Putha Kabkaew, discípulo de Chalermchai Kositpipat (autor do célebre Templo Branco de Chiang Rai), marcou desde o início a direcção estética do projecto: irreverente, mas profundamente enraizada na tradição.
A cor azul foi uma das primeiras decisões simbólicas. Em contraste com os dourados predominantes nos templos tailandeses, o azul impõe-se como manifestação de pureza, sabedoria e desapego material — qualidades centrais à filosofia budista. A tonalidade safira cobre não só as paredes e o telhado do templo, como também as estátuas, colunas e portões, conferindo ao conjunto uma aura quase etérea, que o torna imediatamente reconhecível.
Ao contrário de outros templos históricos, o Templo Azul não é um relicário do passado, mas sim um espaço de expressão artística e espiritual. Desde a sua concepção, não foi pensado como uma reconstrução arqueológica nem como réplica de formas antigas, mas como uma obra viva, em permanente crescimento. O templo é, simultaneamente, um lugar de culto, uma galeria a céu aberto e uma plataforma de expressão espiritual para uma nova geração de artistas budistas.
O templo é uma obra em permanente evolução. A cada ano surgem novos elementos escultóricos e arquitectónicos: portões ornamentados, figuras míticas, murais pintados à mão, ou pequenos edifícios auxiliares, todos integrados num conjunto coerente e profundamente simbólico. A direcção artística mantém-se fiel a uma visão que combina os princípios tradicionais do budismo theravada com uma linguagem visual contemporânea, rica em cor, movimento e fantasia.
Este processo contínuo de transformação reflecte também a natureza da espiritualidade budista, vista não como algo imutável, mas como um caminho de aperfeiçoamento e renovação. O templo torna-se, assim, um espelho do próprio ensinamento budista: tal como o praticante procura evoluir, também o espaço sagrado evolui com ele.














