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TEMPLO BRANCO

วัดร่องขุ่น

​Última atualização: 05/05/2025

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Horário: 08:00–17:00

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Ingresso: 100 THB

O Templo Branco, em Chiang Rai, rompe com tudo o que se espera de um templo budista. Criado pelo artista Chalermchai Kositpipat, é um espaço onde a tradição tailandesa se funde com imagens modernas, desafiando convenções e convidando à introspecção.


A construção do Templo Branco teve início em 1997, quando Chalermchai Kositpipat decidiu reconstruir um antigo templo arruinado nos arredores de Chiang Rai. Em vez de seguir os modelos tradicionais, o artista escolheu transformar o espaço num projecto pessoal de devoção e criatividade. Financiado quase exclusivamente com os seus próprios recursos, o templo tornou-se um manifesto artístico e espiritual, sem paralelo na Tailândia.

Chalermchai Kositpipat nasceu em Chiang Rai em 1955 e revelou desde jovem uma inclinação para as artes visuais. Formou-se na prestigiada Universidade de Silpakorn, em Banguecoque, onde aprofundou o estudo da arte tradicional tailandesa, especialmente as técnicas de pintura mural. No entanto, o seu percurso depressa se afastou da ortodoxia: influenciado tanto por elementos religiosos como por bandas desenhadas, filmes e temas políticos contemporâneos, começou a incorporar nas suas obras imagens pouco convencionais — como super-heróis, figuras mitológicas distorcidas ou referências ao consumismo moderno.

Esta linguagem visual híbrida, por vezes provocadora, valeu-lhe críticas severas nos meios académicos e religiosos mais conservadores, que o consideravam irreverente ou mesmo sacrílego. Ainda assim, Chalermchai manteve-se fiel à sua visão, convencido de que a arte deve desafiar, interrogar e transcender os limites estabelecidos. Foi no Templo Branco (Wat Rong Khun) que o artista encontrou finalmente um espaço onde pôde explorar sem restrições a sua espiritualidade, as suas inquietações sociais e o seu estilo singular. Desde o início, Chalermchai estabeleceu que o templo deveria transmitir uma mensagem clara: a superação do desejo, da ganância e da tentação como caminho para o Nirvana. Essa narrativa está presente em todo o percurso simbólico que o visitante faz ao atravessar o recinto. 

A experiência de visita ao Templo Branco foi concebida como um percurso simbólico que traduz os ensinamentos centrais do budismo theravada. Nada aqui está ao acaso, cada passo, cada imagem, cada transição entre espaços reflecte um momento da jornada espiritual. O percurso começa na ponte principal, que conduz ao ubosot, a sala de ordenação, considerada o coração do templo. Esta travessia representa o caminho para a iluminação e exige que se atravesse o mundo das ilusões antes de alcançar a pureza.

Imediatamente antes da ponte, deparamo-nos com uma imagem perturbadora: centenas de mãos esqueléticas e rostos em agonia erguem-se do solo, como se implorassem por libertação. Este mar de mãos simboliza o sofrimento inerente à existência, alimentado pelo desejo, pela ignorância e pelo apego. Não se trata apenas de uma escultura decorativa — é um aviso visual e emocional de que, para atingir a paz espiritual, é necessário abandonar as tentações mundanas e o ciclo de samsara (nascimento, morte e renascimento).

Ao atravessar a ponte, entra-se numa segunda fase do percurso, vigiada por figuras demoníacas — guardiões ferozes que encarnam a raiva, a inveja, o ego e os impulsos destrutivos que impedem o progresso espiritual. Estes seres não ameaçam fisicamente, mas simbolicamente: representam os obstáculos internos que todos devem enfrentar e superar.

Só depois de passar por estas duas etapas — o reconhecimento do sofrimento e a confrontação com os demónios interiores — se chega ao ubosot. A entrada neste espaço sagrado marca simbolicamente o início de uma nova etapa: a da compreensão, do desapego e da prática consciente. Neste ponto, o visitante deixa para trás o mundo das ilusões e entra num espaço de contemplação.

O edifício central, totalmente revestido a branco e decorado com fragmentos de espelho, brilha sob o sol como se fosse feito de gelo ou cristal. O branco simboliza a pureza da mente, enquanto os espelhos representam a sabedoria e a reflexão interior. No interior, a surpresa continua: os murais que revestem as paredes não seguem o cânone tradicional. Em vez das representações clássicas da vida do Buda, surgem figuras como Neo do Matrix, Darth Vader, Michael Jackson, Hello Kitty ou os Pokémon — símbolos modernos de fascínio e ilusão. Para Chalermchai, estas imagens não são meras provocações: representam os obstáculos do mundo contemporâneo à verdadeira prática espiritual.

O projecto de Chalermchai ainda está longe de concluído. O artista prevê a construção de nove edifícios, incluindo uma sala de meditação, um museu e um espaço para relíquias budistas. Recusando apoios do governo, Chalermchai financia o templo com fundos próprios e doações privadas, garantindo assim total liberdade criativa.

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