TRIBO KAREN-PADAUNG (KAREN DE PESCOÇO LONGO)
หมู่บ้านชาวเขากะเหรี่ยงคอยาว
Nas montanhas do norte da Tailândia, junto à fronteira com Myanmar, vivem comunidades Karen conhecidas pelas suas tradições singulares. Entre elas, destacam-se as mulheres de pescoço longo, cuja imagem enigmática continua a intrigar e a fascinar quem visita as suas aldeias.
Durante séculos, os Karen viveram nas zonas montanhosas do actual norte de Myanmar, desenvolvendo uma cultura própria marcada pela ligação à terra, à espiritualidade e ao artesanato. Ao longo do tempo, estes grupos deslocaram-se progressivamente para sul, cruzando a fronteira natural formada pelas cordilheiras entre Myanmar e a Tailândia. Esta migração foi motivada por uma combinação de factores: conflitos internos, perseguições políticas, pressões económicas e, mais recentemente, guerras civis que afectaram minorias étnicas em território birmanês.
Na Tailândia, os Karen estabeleceram-se maioritariamente em zonas montanhosas de difícil acesso, em províncias como Mae Hong Son, Chiang Mai e Chiang Rai. A sua cultura desenvolveu-se de forma autónoma, mantendo práticas agrícolas tradicionais de subsistência, como a plantação rotativa e a criação de animais. A relação com a terra é profunda e estruturante, influenciando não só o modo de vida como a cosmovisão deste povo.
Entre as várias comunidades Karen, destaca-se a tribo Padaung, conhecida pelas suas mulheres que usam espirais de latão em redor do pescoço desde a infância. Este costume, facilmente reconhecido pela sua aparência singular, é mais do que uma curiosidade visual: representa um ideal de beleza, um elo com os antepassados e um símbolo de identidade profundamente enraizado na cultura local.
Os colares usados pelas mulheres Padaung não são conjuntos de anéis individuais, mas sim uma única espiral contínua de latão, cuidadosamente enrolada em redor do pescoço. À medida que a rapariga cresce, essa espiral é substituída por outra de maior dimensão, num processo que acompanha o desenvolvimento físico e marca as etapas da vida.
Ao contrário da crença generalizada, os colares de latão usados pelas mulheres Padaung não alongam fisicamente o pescoço. O efeito visual resulta de uma alteração progressiva na estrutura corporal: o peso contínuo da espiral exerce pressão sobre a clavícula e os ombros, que se vão rebaixando ao longo dos anos. Esta mudança anatómica faz com que o pescoço pareça mais longo, embora os ossos cervicais permaneçam inalterados.
Apesar da aparência pouco habitual e da ideia de desconforto que os colares podem causar a quem os observa, muitas mulheres referem que não sentem dor. Tendo começado a usar os colares em tenra idade, os seus corpos habituaram-se gradualmente ao peso e à rigidez, integrando-os no quotidiano como parte da própria identidade.
Longe de ser apenas um ornamento exótico aos olhos de quem visita as aldeias Karen, a espiral de latão tem um profundo significado simbólico dentro da comunidade. Trata-se de um elemento identitário que atravessa gerações, passado de mãe para filha, e que confere a quem o usa não apenas distinção visual, mas também um lugar reconhecido na tradição. O número de voltas, o peso da espiral e a idade em que começa a ser usada reflectem diferentes etapas da vida e da integração no seio da comunidade.
Embora as origens exactas desta prática sejam difíceis de determinar, existem várias teorias. Uma delas sugere que os anéis teriam uma função protectora contra ataques de tigres, enquanto outra aponta para uma imposição estética por parte de antigos líderes tribais. Hoje, no entanto, a principal razão é a preservação da identidade cultural, reforçada por um sentido de pertença e continuidade geracional.
Para muitas mulheres, o colar é um símbolo de orgulho e de ligação directa às suas raízes culturais, especialmente num contexto em que vivem frequentemente em situação de marginalidade, sem acesso pleno à cidadania ou aos direitos sociais. O uso continuado dos colares, mesmo em tempos modernos, é uma forma de resistência silenciosa à homogeneização cultural e à perda de práticas ancestrais. Mais do que um adorno físico, a espiral de latão é um elo vivo com o passado — uma forma de manter viva a memória colectiva do povo Karen num mundo em constante transformação.
Durante o século XX, os Karen enfrentaram perseguições e conflitos armados em Myanmar, o que levou milhares a refugiar-se na Tailândia. Muitos instalaram-se em aldeias remotas, onde vivem actualmente como apátridas, sem direito à cidadania tailandesa. Esta condição limita o acesso à educação, saúde e emprego formal, fazendo com que algumas comunidades recorram ao turismo como forma de subsistência.
As visitas às aldeias Karen tornaram-se populares entre os viajantes que procuram experiências culturais autênticas. Locais como Mae Hong Son, Chiang Mai e Chiang Rai acolhem estas aldeias, onde os visitantes podem observar o quotidiano das mulheres Karen, conversar com elas e conhecer de perto os seus ofícios tradicionais, como a tecelagem manual e a escultura em madeira.
No entanto, estas visitas levantam também questões éticas. A linha entre valorização cultural e exploração turística nem sempre é clara. Muitas mulheres usam os anéis porque sabem que a sua imagem atrai visitantes, sendo esta uma das poucas formas que têm de garantir rendimentos. Por isso, é importante visitar estas comunidades com respeito, consciência e um espírito genuíno de aprendizagem.














